Contos do Zé #17 - Superstição

Zé Renato 13/05/2020 20:00:00 357 visualizações

Verônica estava cheia das superstições do Carlos, com quem havia decidido morar junto três anos atrás.

Carlos era um bom sujeito. A tratava bem, era trabalhador do ramo de Segurança Patrimonial, religioso e de família.

Verônica, que também era "um bom partido", como dizia seu pai, estava planejando ter filhos com Carlos. Não sei pra vocês, mas acredito que essa é a maior prova de amor e de aposta no futuro que uma pessoa pode fazer em relação à outra: Planejar filhos.

Mas havia uma única coisa - além das picuinhas, é claro - que incomodava Verônica. Carlos era extremamente supersticioso. E isso se dava não por mera implicância. É que a coisa estava num nível tal que realmente atrapalhava a vida dos dois.

Carlos era capaz de passar horas desvirando os sapatos da Verônica, só para que a mãe dela não morresse. E a dele também, afinal, aqueles sapatos não estavam na casa dele também?

A mais nova superstição de Carlos era achar que as pás do ventilador de teto que ficava no quarto deles não podia formar uma cruz em relação a cama… Porque se isso acontecesse, eles morreriam.

Verônica decidiu que não iria ceder dessa vez e obrigou Carlos a deixar as pás do ventilador formarem a tal da cruz. Assim, ao amanhecer, pensou ela, comprovaria seu ponto de vista e tudo seria resolvido.

Como era verão e fazia muito calor em Vila Verde, eles deixaram a janela aberta. Afinal, ela tinha grades e isso deveria bastar.

Mas não foi o que aconteceu. Alecão Banguela, um viciado em heroína tinha outros planos. Ele precisava de dinheiro para manter o vício e faria qualquer coisa para consegui-lo.

Passando pela Alameda dos Aiacás, percebeu uma casa com muro baixo e decidiu invadir. Tentou abrir a porta da frente e não obteve sucesso. Deu a volta para acessar a porta da cozinha e essa também estava fechada.

E foi nesse momento que topou com Dexter, o pinscher que Verônica havia ganhado quando fez 15 anos. Como já estava com idade avançada, o pobre cãozinho não pode oferecer qualquer resistência e foi enforcado com a corda do varal.

Quando estava terminando de dar a volta na casa, Alecão Banguela percebeu que uma das janelas estava aberta. Como não conseguiu entrar por ali, já que havia uma grade para impedí-lo, decidiu matar o casal que dormia profundamente.

Foram dois tiros rápidos e certeiros. Nenhuma das vítimas teve tempo de sequer compreender o que estava acontecendo.

No final de tudo, os tiros alertaram a vizinhança, que chamou a Polícia. Alecão Banguela teve que fugir e só conseguiu levar uma uma sanduicheira usada, que achou jogada no quintal.

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