Chefe da Polícia Civil deixa cargo e ataca novo governador de São Paulo

A Bigorna 17/04/2018 23:29:00 526 visualizações
# legenda: Chefe da Polícia Civil

​O chefe da Polícia Civil de São Paulo, Youssef Abou Chahin, pediu demissão do cargo e, em carta de despedida, mandou um recado indireto ao governador Márcio França (PSB) em que aconselha aqueles que querem interferir na instituição a prestarem concurso para delegado.

"Aliás, se quiserem aproveitar, o concurso foi autorizado e as inscrições encontram-se abertas", escreveu Chahin, que era delegado-geral do governo Geraldo Alckmin (PSDB) desde janeiro de 2015 e decidiu se aposentar.

A mensagem com críticas à interferência externa na Polícia Civil —e na qual França não chega a ser citado nominalmente— foi enviada por ele a um grupo de policiais logo após a renúncia do tucano.

O posicionamento ocorreu antes mesmo do interesse manifestado pelo governador de fazer mudanças na pasta da Segurança Pública. França será candidato nas próximas eleições, buscando se manter no comando do estado.

Em sua carta, Chahin critica os subordinados "sem competência reconhecida" que buscam padrinhos para ocuparem cargos de interesse e afirma que vê objetivos "escusos" nesses profissionais.

O então delegado-geral diz que nos anos como chefe da Polícia Civil, na gestão Alckmin, conseguiu barrar tais movimentos políticos e conseguiu "o inédito apoio total à independência funcional da Polícia Civil Bandeirante".

"Meu objetivo seria dirigir uma Polícia Civil de Estado e não de governo, visando, obviamente, retirar as influências externas da instituição e prestigiar os policiais comprometidos com a administração pública", afirma ele.

Sobre os motivos que o levaram a deixar o cargo, Chahin afirma na carta que tomou a decisão porque França declarou a intenção de "escolher os cargos de confiança".

Por isso, diz, ele disse que deixava o governador "totalmente à vontade para montar sua equipe de trabalho" —e disse desejar "todo êxito" para a nova administração.

Pessoas próximas a Chahin dizem que a decisão dele de deixar o cargo buscou antecipar eventual retaliação por parte do novo governador —devido a pedidos que não teriam sido atendidos no período em que França era vice.

O governador nega qualquer interferência na polícia, defende a independência da instituição e diz que Chahin saiu do cargo por decisão própria, para se aposentar. "Não posso ter feito interferência política porque nem deu tempo ainda", disse França.

Nos últimos dias, ele chegou a cogitar uma mudança drástica na organização das polícias paulistas, com maior separação entre Militar e Civil. A primeira continuaria atrelada à pasta da Segurança Pública, enquanto a segunda iria para a da Justiça.

A ideia era defendida por entidades de delegados. Após resistência interna e de órgãos da sociedade civil, França decidiu estudá-la melhor.(DaF.S.Paulo)

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