Festa sem dinheiro

A Bigorna 20/08/2018 11:09:00 839 visualizações
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Não há avareense contrário a realização da Exposição Municipal Agropecuária na cidade, mesmo que a ela se agregue a Festa de Peão. Desde que os cofres da Prefeitura não sofram com as consequências.

Sabemos da importância histórica da EMAPA, de seu apelo turístico, do oportuno que o evento se faz, já que estamos falando de um País que tem no agronegócio o carro-chefe de sua economia.

Ademais, temos um parque, com todos os equipamentos necessários, para dar qualidade à Mostra; beneficiar expositores, consumidores, participantes, visitantes etc. Numa cidade com boa situação geográfica, e agora melhor servida pela rodovia que a atende.

Não aproveitar um espaço como aquele para um acontecimento afim seria atestado de incompetência administrativa. Até aí está tudo nos conformes.

O “que pega”, no caso da Festa de Peão está na relação custo x benefício. Uma festa como a programada para este ano só se justifica no equilíbrio das vertentes colocadas. Em síntese: os cofres da Prefeitura não poderão sangrar.

A Prefeitura não passa por um momento de tranquilidade em suas finanças, tanto que continua com dificuldades para cumprir com suas obrigações corriqueiras como saldar a Folha Salarial na data correta, abastecer os Postos com remédios, propiciar um atendimento realizador no Sistema de Saúde etc.

Não há dinheiro para reajustar os salários dos servidores, pelo menos ao índice inflacionário... Os buracos das ruas só desapareceram graças a disposição do governador Márcio França que liberou – não só para Avaré – dinheiro suficiente, com alguma participação da prefeitura, para que tal situação pudesse ser alcançada.

Enfim, não vivemos no melhor dos mundos quando falamos em atendimento as carências sociais, em investimentos no sentido de proporcionar qualidade de vida satisfatória à população.

Muitas cidades que sempre realizaram suas festas milionárias, nestes últimos dois ou três anos, com o agravamento da crise, optaram por eventos mais econômicos, quando não suspenderam as realizações.

As receitas das prefeituras estão sempre em declínio, os repasses dos governos são imprevisíveis e nem sempre ao nível esperado.

Por outro lado, deve se pensar sempre em aumentar a oferta de vagas nas creches – não deixar chegar ao ponto que estava antes da administração Poio Novaes -; há demanda em alta por assistência médica e consequência necessidade de remédios; fornecedores precisam receber em dia, entidades assistências precisam de verbas nas datas certas e por aí vai.

Os avareenses querem EMAPA/Festa de Peão.

Mas só insensatos querem dinheiro público, que necessariamente deve ser aplicado no atendimento às necessidades básicas, ser disponibilizado nas contas de artistas milionários.

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É preciso desmontar a narrativa oficial que entende como opositores ou autores de ação política todos aqueles que, pontualmente, se colocam contrários a determinadas ações administrativas. Ser contrário ao uso do dinheiro público para bancar festa, por exemplo, não significa ser contra Avaré, contra o prefeito ou estar fazendo uso político de um fato.

Por José Carlos Santos Peres, A Voz do Vale.

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