O Jovem e o velho professor

A Bigorna 11/02/2019 01:00:00 986 visualizações
# legenda: Contos e causas

Em um pequeno Vilarejo vivia um velho professor que, de tão sábio, era sempre consultado pelas pessoas da região.

Uma manhã, um rapaz, que fora seu aluno, vai até à casa de sábio homem para conversar, desabafar, e aconselhar-se.

- Venho aqui, professor, porque me sinto tão pouca coisa que não tenho forças para fazer nada... Dizem-me que não sirvo para nada que não faço nada bem, que sou lerdo e muito pouco inteligente. Como posso melhorar? O que posso fazer para que me valorizem mais?

O professor, sem olhá-lo, disse:

- Sinto muito, meu jovem, eu poderia resolver seu problema  com mais rapidez e, depois, talvez, possa ajudá-lo.

- Claro, professor, disse o jovem, sentindo-se outra vez desvalorizado, hesitando, em ajudar o antigo mestre.

O professor tirou um anel que usava, deu-o ao rapaz e disse:

-Monte no cavalo e vá até o mercado. Devo vender este anel porque tenho que pagar uma dívida. É preciso que você obtenha pelo anel o máximo valor possível, mas não aceite menos que uma moeda de ouro. Vá e volte com a moeda ou com o dinheiro o mais rápido possível.

O jovem pegou o anel e partiu. Chegando ao mercado , começou a oferecer a joia aos mercadores. Alguns olhavam com certo interesse, até momento em que o jovem dizia quanto pretendia com a venda do anel.

Quando oo jovem mencionava o preço de uma moeda de ouro, alguns riam, enquanto outros saíam sem ao menos olhar para ele. Somente um velhinho foi amável ao ponto de explicar que uma moeda de ouro era muito valiosa para comprar um anel.

Tentando ajudar o jovem, alguns mercadores  chegaram a oferecer uma moeda de prata e uma xícara de cobre, mas o jovem seguia as instruções de não aceitar menos que uma moeda de ouro e recusava as ofertas.

Depois de oferecer a joia a todos os que passaram  pelo mercado, abatido pelo fracasso, montou no cavalo e voltou à residência do velho professor.

O jovem desejou ter uma moeda de ouro para que ele mesmo pudesse comprar o anel, livrando assim o seu amigo das preocupações. Monologava consigo mesmo que, se ajudasse o antigo mestre, deste poderia receber ajuda e os conselhos que tanto necessitava...

De retorno, entrou na casa e disse ao sábio:

- Professor, sinto muito, mas é impossível conseguir o que me pediu...Talvez pudesse conseguir duas ou três moedas de prata, mas acho que não se pode enganar ninguém sobre o valor do anel.

-Importante o que disse, meu jovem... Contestou sorridente o sábio. Devemos saber, primeiro, o valor do anel. Volte a montar no cavalo e vá até o joalheiro. Quem melhor para saber o valor exato do anel? Diga que quero vender o anel e pergunte quanto ele lhe pagará. Mas não importa...Volte aqui cm o anel.

O jovem foi até o joalheiro que examinou a peça com uma lupa, pesou-a e disse:

-Diga ao seu professor que se ele quiser vender agora, não posso dar mais que cinquenta e oito moedas de ouro pelo anel.

-Cinquenta e oito moedas de ouro? – exclamou o jovem, supreso.

-Sim, replicou o joalheiro, eu sei que com o tempo eu poderia oferecer cerca de setenta moedas, mas se a venda é urgente...

O jovem correu emocionado à casa do professor para contar o que ocorreu.

-Sente-se, disse o professor.

Depois de ouvir tudo o que o jovem contou-lhe, falou:

-Você é como este anel, uma joia valiosa e única e que somente pode ser avaliada por um “expert”. Pensava que qualquer um podia descobrir o seu verdadeiro valor?

E, dizendo isto, voltou a colocar o anel no dedo.

E disse mais:

-Todos somos como esta joia: valiosos e únicos e andamos por todos os mercados da vida pretendendo que as pessoas inexperientes nos valorizem. Você deve acreditar em si mesmo.  Sempre! Ninguém pode fazê-lo sentir-se inferior sem o seu consentimento!

 

 

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