O Palhaço 10º Capítulo

A Bigorna 06/04/2018 23:48:00 578 visualizações
# legenda: Continuação do 5º Episódio

Antes de voltarem direto para casa, Tonhão e Débora passaram em um Bar. Tomaram algumas cervejas, pegaram algo para comer e também levaram lanches para o delegado Matias. As ruas lúgubres mostrava que o inverno pesado daquele ano deixara muitos dentro de suas casas.

As investigações de Débora corroboraram com tudo que Matias havia dito e explicado na noite anterior. Precisavam protegê-lo, já que o delegado era uma testemunha muito valiosa.

Chegando a sua casa Tonhão abriu a porta. Tudo estava do mesmo modo que havia deixado. Notou que as luzes estavam apagadas. Estranhou pelo motivo de não serem ainda nem onze da noite. Caminhou pela antessala, e até junto à sala de jantar. Embora antiga, a casa ainda guardava todos os resquícios de sua ex-mulher.

Passou e chamou pelo delegado.

Nenhuma resposta. Foi até a cozinha e por um rápido milésimo de segundo gritou com uma voz abafada por Débora.

Um palhaço de brinquedo estava à mesa balançando e soltando risadas.

 

***

Enquanto percorria as ruas lúgubres da periferia da Zona Norte, ele cantarolava. O rádio estava num volume médio. Sentia letargia naquele momento. Parou defronte a uma padaria. Comprou dois energéticos e saiu. No carro mais dois comprimidos de codeína. O estacionamento estava semivazio, o que o permitiu que ficasse recostado ao banco por algum tempo, até que, finalmente a droga fizesse efeito. Em poucos segundos era outra pessoa.

Perspicaz e atenta. Essa era sua verdadeira personalidade. A casa estava próxima. Olhou às horas. Era quase meia-noite. Com certeza o investigador já teria chegado a sua casa.

Sorriu só em pensar como se comportaria o panaca.

A alegria contagiante e a sagacidade levaram-no a sair e comprar um uísque pequeno. Sorveu em apenas alguns goles.

Estava pronto.

No entanto, algo em sua em mente latejava algo mais chocante.

Um encontro com o investigador.

Olhou no banco de trás, onde havia uma mala com fundo falso e gargalhou.

Tal ideia surgira com sua mente a turbilhões, entre a codeína, o energético e o álcool.

Nunca bebera em toda sua vida. Mas a vida tem seus subterfúgios intercalados com os interlúdios.

Deu partida no carro e saiu.

O bairro estava movimentado pelos traficantes naquela noite. Ao passar por um grupo, com o carro todo escuro, abriu a janela e mostrou um distintivo da polícia federal. Os traficantes da área passaram um rádio, e o chefe do tráfico autorizou sua entrada. Tudo era fácil. São tantos imbecis, pensava, enquanto dirigia e entrava no bairro. Carros de luxo iam e vinham. Era a classe abastada que sustentava o tráfico. Que fazia o tráfico, cada vez mais ter poder e dinheiro.

A sociedade é hipócrita. Faz passeatas contra a violência e o tráfico, mas parte dela alimenta o monstro que as destrói.

A casa logo à frente era modesta. Pintada em uma cor neutra com uma varanda tipo americana na frente, com vários vasos de flor.

Era um lar.

Ele sorria cada vez mais. Em um quarteirão escuro parou o carro, trocou de roupa e se tornou o ser que todos queriam saber quem era.

Ele era a morte!

 

 

 

 

 

 

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