O Palhaço 4º Capítulo

A Bigorna 09/02/2018 18:21:00 772 visualizações
# legenda: 3º Episódio

Era noite e os canais de TV, em geral, já mostravam o corpo da vítima que, misteriosamente fora assassinada e sua filha havia sumido.

Tonhão desligou a TV e foi tomar um banho. Queria deitar e dormir como não dormia há muitos dias. Débora ficou até mais tarde na delegacia em seu lugar. Apesar de ter olhos de uma mulher carinhosa e meiga, em seu interior se revelava uma mulher forte que não se abatia facilmente com os acontecimentos. Ao seu lado estava um envelope com algumas fotos. Fotos horripilantes de algo sobrenatural, trancafiada em sua gaveta, fez mais algumas pesquisas e depois saiu. Somente noutro dia, ela e Tonhão decidiriam o que iriam fazer com as fotos. Desligou o computador, pegou a bolsa e saiu.

Parou para pegar um lanche e não percebeu que um veículo de cor escura estava a sua espreita. Foi para casa sem saber que era observada.

Os jornais matutinos estampavam as diversas manchetes do crime. O mais famoso publicara:

“O sorriso do diabo”.

Referindo-se ao modo como a boca da vítima havia sido cortada de fora a fora e pintada como a boca de um palhaço com batom vermelho.

A filha da vítima ainda não fora localizada. Uma equipe de dez policiais faziam as investigações, enquanto outros patrulhavam os bairros. Em geral, a Polícia confunde pobreza com crime, e, deste modo, se enfurna em bairros de pobres à procura de criminosos ou suspeitos.

Por volta de sete da manhã, Tonhão e Débora estavam numa padaria.

“Você vai me contar da noite que o Palhaço menciona e esclarecer essas fotos”. - Mostrando um envelope amarelado. – “Se quiser ajuda, pois não estou entendendo nada”.

Tonhão tomou mais um gole de café. Estava cabisbaixo. Oficialmente estava fora da caçada ao assassino mais famoso da atualidade. Mais por dentro ainda rugia o brado de um policial.

“Àquela noite... Bem, na verdade eu achava que era o maior homem e policial do mundo. Havia esquecido meu passado e estava concentrado em tudo que pudesse me levar até aquele monstro. Na verdade estava ‘cego de raiva’, e ele conseguiu utilizar minha raiva contra mim mesmo”.

Um olhar de tristeza brotou em seus olhos. As olheiras já se mostravam mais protuberantes que dias atrás – o tempo e o desgaste faziam com que elas tomassem a cor mais negra possível, revelando uma profunda dor interior.

“Débora. Você é jovem ainda e não precisa trilhar este caminho. Tem muito futuro pela frente. Já eu, olho só, à beira de um colapso nervoso quando se está prestes a se aposentar. Olhe...” – Suas palavras foram cortadas.

“Tonhão não estou aqui como sua filha, mas sim como uma policial que quer te ajudar, antes que você se afunde. Não confunda as coisas e os papéis.”

Em tom ameno e triste Tonhão a olhou como realmente olhasse uma filha. Pegou as fotos que relembravam tudo. Num passado sem futuro, um futuro sem presente, um presente sem passado.

Sua filha. A qual se fora há tempos, devido a uma overdose de heroína. O fato destruiu sua família e também sua esposa, que, na época se suicidou. Ele ficou só, tão só que nem sabia que vivia ou como vivia.

As fotos mostravam sua filha injetando heroína e participando de um clube com diversos homens. Ao fundo, uma imagem aterradora. Um Palhaço com uma seringa. Atrás da foto, escrito em traços confusos, mas legíveis, estava às palavras que Tonhão nunca mais esqueceu.

“Sou eu quem vai injetar a última dose nessa doce menina, policial.”

“Não entendo o porquê de este assassino ter guardado estas fotos por tanto tempo”. - questionou Débora.

“Não sabia quem havia destruído com minha família, minha nobre colega. Hoje a dor é mais lancinante. Parece que o passado voltou para me levar pra longe, para longe de mim, para um nada existencial que vivo há muito tempo.”

Por um momento os dois se calaram. O silêncio só foi rompido quando Débora lhe falou de sua investigação.

“Exatamente. É isso mesmo que o Palhaço quer. Acabar com você. Fiz cruzamentos de assassinatos de policiais e de parentes de policiais. Este monstro há muito tempo comete atrocidades somente com policiais ou contra seus familiares.”

O celular dela vibrou.

Uma mensagem.

A menina havia sido achada...

Débora, rapidamete pediu uma resposta e enviou um texto em mensagem criptografada, como os atuais celulares policiais estavam sendo utilizados.

Entretanto a resposta não veio.

 

 

 

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