O Palhaço 8º Capítulo

A Bigorna 10/03/2018 10:06:00 368 visualizações
# legenda: Continuação do Episódio 4º

Sangue, suor e lágrimas.

Era tudo aquilo que o deixava com uma insanidade perfeita para ele mesmo. O medo, o olhar de terror, as súplicas. Tudo em todas as partes do corpo que tremiam e bradavam o entumeciam e deixavam-no eufórico. Dois comprimidos de codeína ajudavam a fazê-lo valer a pena cada instante, cada segundo, num escrutínio de satisfação e delírio plenos.

Ouvia a bela música A cavalgada das Valquírias. Um som estridente e impetuoso. Assim como ele, era algo sobrenatural.

A codeína já fazia efeito.

Pegou uma garrafa de uísque sem gelo e tomou num só gole.

A música parecia ter aumentado em seus tímpanos e,  agora, dançava e sorria e delirava.

Tudo estava se completando. Pouco a pouco, ele estava conseguindo àquilo que por anos ficou cravado dentro de sua alma: o ódio.

***

 

Depois de mais de duas horas no sótão, enfim, as coisas clareavam.

“Venha, vamos subir. Você toma um banho e comemos algo. Débora poderia, por favor, pedir algo para nós”. – o tom afável de Tonhão já não era virulento desde que descobriram o intruso em sua casa.

Almoçaram com certa tranquilidade.

“Você nos deu pistas esclarecedoras sobre as mortes e sobre o tal Palhaço, mas sinto que ainda esconde algo de nós.”

O homem que estava mais recomposto olhou para os dois, baixou o garfo, tomou um gole de vinho.

“Bem. Vamos falar mais, agora, que acredito que confiam em mim, em dizer quem eu sou. O quê vocês acham?”

“Comece”. - disse Débora.

“Bem, eu sou o delegado Matias que estava sob custódia do serviço de proteção às testemunhas. Só que não estou mais, por minha conta e risco. Decidi sair da casa onde estava sendo abrigado, depois que desconfiei que alguns agentes que estavam ali, na verdade, é uma suspeita, não eram confiáveis. Mandei minha filha e esposa para o Paraguai. Elas ficaram por lá enquanto o dinheiro conseguiu mantê-las. Posteriormente fiz contato com um de seus tios e elas foram para casa deles em Embu das Artes. Verdade seja dita, acreditei piamente que elas estariam seguras. Eu comecei a me virar. Dormia cada dia em um albergue. Minha pensão era gasta com comida e mandava dinheiro a elas também. Por fim, o Palhaço conseguiu localizá-las. Não sei como. Fiquei sabendo das mortes pelos jornais. Fiquei louco.”

Ele se calou e tomou mais alguns goles de vinho. De repente, lágrimas escorreram de seu rosto.

“Calma”. – tentou Débora, mas sem sucesso.

“Desculpem. O que vou lhes dizer agora é algo que vocês poderão constatar, se a jovem investigadora já não tiver as pistas necessárias. Percebi que você é muito perspicaz.”

Naquele momento todos se calaram.

O delegado Matias olhou-os e disse: “Foram oito mortes, e só falta mais uma.”

 

 

 

Contato:

WhatsApp (14) 9.9705-7070
Fone: (14) 9.9705-7070
Email: contato@abigorna.com.br