• 965 Jornal A Bigorna 15/09/2021 06:10:00

    Artigo

    José Carlos Santos Peres

    Eis que por ser um momento especial à vida de nossa cidade justifica-se um olhar mais cuidadoso à administração pública, de uma maneira geral. Estariam nossos gestores, nos diversos compartimentos que compõem o todo, correspondendo as expectativas neles depositadas pela população?

    Aliás, essa pergunta deveria ser feita por eles mesmos, na busca de interpretar o que estão produzindo no cotidiano da cidade.

    A este articulista, na equidistância que o define (equidistância é a melhor condição ao ofício jornalístico) duas práticas deveriam ser contempladas: ousadia e inovação. Sem perder, é claro, o compromisso com a responsabilidade fiscal que, em última instância se realiza no “não gastar mais do que se arrecada”.

    Dizer que a capacidade de arrecadação de uma cidade como a nossa não é significativa é constatar o óbvio. Em decorrência, somos dependentes – como a maioria dos municípios – de recursos do Estado e da Federação.

    O fluxo de caixa, a manutenção da máquina administrativa para fazer a cidade funcionar (aí incluída a Folha Salarial) comprometem significativamente o montante arrecadado, como um todo.

    O que sobra para investimentos? Seria interessante a imprensa buscar essa informação junto a contabilidade municipal. Mas, ao que tudo indica, sobra muito pouco. Daí a necessidade que colocamos no parágrafo acima, de nossos gestores ousarem e inovarem. São termos de uma mesma família, que se completam em algum momento, mas que correm um longo trecho em paralelo.

    Ousamos, quando, recentemente, a cidade conquistou esse melhor dimensionamento da rodovia que nos serve. Ousamos na insistência, na somatória de forças, na capacidade de arregimentar apoio político.... Avaré ganhou uma nova perspectiva de desenvolvimento, houve mudança na cara urbanística.

    Mas é preciso que o prolongamento da “João Melão” consiga desencadear de vez o processo pensado para turbinar o crescimento urbano, com expansão racional e ocupação do espaço de maneira produtiva. 

    Uma obra magnífica, com todo o aparato que a define, já está no seu quarto ou quinto ano de vida e ainda pede por um melhor aproveitamento. Foi um ato de ousadia de nossos administradores. E aqui vale citar a boa vontade do então governador Geraldo Alckmin em participar da viabilização.

    A inovação é a carência maior que nos falta, no conjunto da administração. Não se vê nada de diferente; nossos secretários batem ponto, são despachantes de ofícios rotineiros. Reclamam, com razão, de falta de recursos. Mas temos exemplo de secretários, em gestões não tão do passado, que produziram, em segmentos como o esportivo e o cultural (só para ficar em dois) eventos consistentes. Podemos ilustrar com dois nomes ou momentos: Gilson Câmara, na Secretaria Cultural e a política realizadora com víeis social durante a administração de Miguel Paulucci no segmento esportivo.

    Avaré precisa redefinir sua gestão administrativa a partir de políticas públicas realizadoras, em todos os segmentos. Há de se pautar um pensamento macro para englobar aquilo que se pretende fazer e, no micro, no dia a dia, ousar e inovar para tirar a cidade do marasmo em que de há muito se encontra.

    Sem um pensamento maior, estruturado em políticas públicas factíveis, tudo o que se realiza cai na vala do imediatismo, com a administração ocupando-se apenas de prendas domésticas, desse fazer rotineiro que se dimensiona num ramerrão enfadonho que acaba por manter a cidade sem maiores perspectivas.

    Pensem nisso, senhores!

    *Por José Carlos Santos Peres

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