Transferência de Marcola e outros chefes do PCC divide Segurança em SP

A Bigorna 07/11/2018 00:30:00 2463 visualizações
# legenda: Transferência de Marcola

A possível transferência de integrantes do PCC de uma penitenciária estadual do interior de São Paulo para presídios federais, devido à descoberta de um plano de resgate de chefões da facção criminosa, provocou uma divisão entre as forças de combate ao crime organizado.

Há uma tensão entre grupos que defendem remanejar os presos para fora do estado e os que são contra essa medida por temerem represálias do crime, já que no topo desta lista estaria Marco Willians Herbas  Camacho, conhecido como Marcola e considerado principal chefe da facção.

O estudo para a remoção de 15 presos da chefia do PCC começou a ser feito no mês passado, quando equipes de inteligência do governo Márcio França (PSB) detectaram um possível plano de resgate de Marcola e de outros comparsas dele, todos confinados na penitenciária 2 de Presidente Venceslau.

O secretário da Administração Penitenciária, Lourival Gomes, que sempre se manifestou contrário à transferência dos chefões do PCC para presídios federais, concordou inicialmente em pedir à Justiça essa remoção, segundo a Folha apurou. Em seguida, porém, acabou demovido dessa intenção.

O recuo, que teria aval do secretário da Segurança Pública, Mágino Alves Barbosa Filho, contrariou integrantes do Ministério Público e da Polícia Militar, que defendem a transferência imediata dos presos em razão do grande esforço e recursos empregados pela PM para evitar as tentativas de resgate.

Eles argumentam que São Paulo não pode ficar refém de um criminoso como Marcola e que demonstrações de medo levaram ao crescimento do crime organizado.

O plano de resgate detectado no mês passado seria apenas um de uma série já descoberta pelos serviços de inteligência do governo paulista anteriormente.

O grupo que defende a transferência diz que ela se tornou premente porque há possibilidade real de uma ação criminosa para resgate de presos, tanto que, afirmam, foi enviado pelo governo paulista um efetivo jamais visto em Presidente Venceslau, incluindo quase todo o efetivo da Rota e do COE (operações especiais), além do uso de armas de guerra emprestadas pelo Exército.

Um indicativo de que o plano não teria sido abortado pelos criminosos seria a presença de drones flagrados sobrevoando a região do presídio, além de disparos de arma com rastro de fogo, chamados de traçantes, característicos de tiros de fuzil.

Os defensores da transferência de Marcola argumentam ainda que, além de ser custoso para os cofres de o estado manter um efetivo tão grande no interior, também há risco de desmoralização das forças de segurança caso o plano dos criminosos, mesmo com tal aparato, dê certo.

Marcola está preso em São Paulo há quase 20 anos e continua cumprindo uma pena superior a 300 anos, por uma série de roubos, além de crimes ligados ao comando do PCC.

Integrantes do grupo que são contrários à transferência defendem que mandar os criminosos do PCC para presídios federais demonstraria uma fragilidade de São Paulo e dificuldades de resolver um problema com origem nos próprios presídios paulistas.

Esse grupo também vê risco de essa transferência desencadear outra megarrebelião, como a ocorrida no início dos anos 2000, e ataques às forças de segurança, como em 2006. Seria uma decisão complicada e, assim, melhor deixá-la para ser resolvida por João Doria (PSDB), governador recém-eleito, no início de 2019.

Na semana passada, o governador Márcio França (PSB) disse à Folha que não havia falado sobre transferência de Marcola com os secretários da Segurança e da Administração Penitenciária, mas que o faria.

Na tarde desta terça (6), França se reuniu com os dois, mas o teor do assunto não foi divulgado. Segundo a Folha apurou, eles teriam decidido não pedir a transferência por enquanto.

Também nesta terça, o deputado federal e senador eleito Major Olímpio (PSL) encaminhou ofício ao procurador-geral de Justiça,  Gianpaolo Poggio Smanio, para que ele peça as transferências do chefes do PCC. "Para que haja desarticulação da ação idealizada, enfraquecimento do crime organizado e preservação de vidas."

Também foi o parlamentar que enviou ao governador e aos comandos do Exército e Aeronáutica detalhes do suposto plano de resgate de chefões do PCC, que inclui até um exército de mercenários.

"Desafio o secretário a mostrar de onde tirou informações de que há possibilidade de retaliação por parte dos presos. O estado não pode se prostrar diante de um criminoso", disse Olímpio à Folha.

No país existem cinco prisões federais espalhadas pelo país (Porto Velho/RO, Mossoró/RN, Campo Grande/MS, Catanduvas/PR e Brasília/DF), que foram projetadas para evitar fugas, incluindo obstáculos para inibir tentativas de resgates.

Um diferencial das unidades federais é haver um maior isolamento dos presos, com celas individuais, restrição de visita íntimas (em algumas unidades) assim como proibição a TVs, jornais e revistas. O acesso a familiares e advogados é monitorado.

Em São Paulo, o sistema parecido é o do RDD (regime disciplinar diferenciado).

Para envio de um preso ao sistema, um decreto federal estipula alguns requisitos, como pertencer a organização criminosa e quando houver risco, como é o caso dos presos do PCC em São Paulo. A determinação é feita por juiz estadual, que solicita vaga ao governo federal.(DaF.S.Paulo)

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